Periperi
Localizado
no litoral Oeste de Salvador, Periperi é o é um bairro do subúrbio ferroviário.
Seu nome é de origem indígena, pois o território era habitado pelos povos da
tribo Tupinambá. A região possuía muitos Peri, planta aquática de junco, e em
virtude da cultura dos Tupinambás de repetir as palavras, o local passou a ser
chamado de Periperi.
Os registros
históricos escritos de Periperi, tem como marco inicial a doação de uma sesmaria,
feita por Tomé de Souza, em 1552, para Garcia D´Ávila, das terras conhecidas, atualmente,
como Santo Antônio, Pirajá e Itapuã. Com o direito e posse dessas terras, ele se
estendeu apossando-se dos demais território ao longo da costa litorânea,
combatendo os índios tupinambás, criando gado e plantando cana de açúcar, nos
seus engenhos.
Em
meados do século XIX, era uma fazenda pertencente ao Coronel Frederico Costa, e
seu desenvolvimento como bairro, teve como marco a construção da Estrada de
ferro ao São Francisco, inaugurada em 1860, que possuía cerca de 13 km,
estendendo-se da Calçada à Base Naval de Aratu. A partir desse fato começou a surgir
os primeiros aglomerados, inicialmente por trabalhadores da ferrovia que
começaram a construir casas aos arredores. Porém o crescimento populacional,
ocorreu com a influência do desenvolvimento econômico da Região Metropolitana
de Salvador (RMS).
Entre
as décadas de 1940 e 1970, ocorreram muitas mudadas na economia de Salvador. A
cidade passou a ser polo de atração para várias empresas que ofereciam serviços
as indústrias, assim com a com a instalação de complexos industriais na região,
aumentou o número de moradores na região do subúrbio ferroviário.
Dentre
os diversos fatores que contribuíram para o desenvolvimento econômico e
populacional da região, destaca-se: A implantação da Refinaria de Mataripe e do
CIA (Centro Industrial de Aratu); A construção, em 1959, de uma rodovia ligando
Periperi à estrada Salvador-Feira de Santana, que facilitava o trânsito e a
residência para os operários que trabalhavam nas indústrias existentes no local
e nas proximidades; O funcionamento, na década de 1970, do Pólo Petroquímico de
Camaçari; E a construção da Avenida Suburbana, influenciaram a migração de
trabalhadores e de famílias, que buscavam empregos ou melhores condições de
vidas, para a capital, indo morar no Subúrbio Ferroviário.
Um
fato importante a ser destacado sobre Periperi é que o bairro ocupar uma posição
estratégica, na qual lhe permitiu um grande fluxo de mercadorias e passageiros
não só pelo trem como também pelo seu porto que dava acesso ao recôncavo
pesqueiro interagindo com a capital.
A
partir dessas mudanças econômica, o espaço urbano da cidade foi sendo remodelado.
Até a década de 1960, Periperi, era uma região muito frequentada por veranistas
de classe média, que buscavam descansar aproveitando da boa qualidade de vida
que o bairro apresentava. Quando o bairro tornou-se uma zona residencial, os
terrenos passaram a serem valorizados pelas imobiliárias, que aumentaram os
preços dos terrenos, o que desencadeou o aparecimento de “invasões” e a
favelização do território por aqueles que não podiam pagar. Desta forma, o
crescimento e ocupação ocorreram desordenadamente e somados a ausência de
intervenção governamental nos serviços básicos caracterizou o bairro como uma
periferia e que foi perdendo a qualidade de vidada ao tornar-se uma zona
residencial cada vez mais ocupado.
Atualmente, Periperi, em relação ao subúrbio, representa uma referência em comércio e
serviços na região e possui ainda hoje a maior concentração da classe média do
subúrbio. Porém, em seu entorno estão as marcas da expansão urbana desordenada
materializada nas ocupações.
De acordo com o Censo Demográfico
do IBGE – 2010, Periperi possuía uma população de aproximadamente 49.879, sendo
o então segundo bairro mais populoso do subúrbio e ilhas.


